CORONEL ARAÚJO COMPLETA 03 ANOS NO COMANDO DA PMRN


O coronel Araújo não sofre de insônia, mas não se recorda quando, nos últimos três anos, dormiu sem ser despertado durante a madrugada. Imediatamente, levanta-se, atende o telefone, delibera soluções e, se for necessário, pega o carro e vai resolver o problema. Araújo é reconhecido pela sua “onipresença”. Sorrindo, na maioria das vezes, faz questão de apresentar saídas onde todos enxergam portas fechadas. Para o comandante-geral da Polícia Militar do Rio Grande do Norte, não há pergunta sem resposta imediata.

Araújo não arrisca apontar um quantitativo de ligações que recebe durante o dia. No primeiro minuto da entrevista, o celular toca quatro vezes; outras duas chamadas são silenciadas. Do outro lado da linha, a prefeita de Santana do Matos avisa que está chegando para uma reunião no quartel do Comando-geral. Antes, um policial e um jornalista, que perguntava sobre a formação de um grupo de operações especiais, já haviam sido atendidos.

O coronel Francisco Canindé de Araújo Silva completou no mês passado três anos como comandante da corporação. A marca foi atingida em meio à divulgação de dados que apontam o crescimento da taxa de homicídios no Rio Grande do Norte. Em quatro meses, o estado registrou 460 assassinatos, quase a metade do total de 2012.

Além disso, depara-se com as dificuldades em investimento na área de segurança por parte do Governo do Estado. O comandante não fala abertamente sobre o assunto, o que permite descrever outra característica além da onipresença: a diplomacia.

Araújo é um político, na essência. Sem preferências por partidos – votou em Serra em 2006 e em Dilma em 2010 –, o comandante é dado à resolução de conflitos. De acordo com relatos de comandantes anteriores, Araújo foi o único chefe recente que resistiu à mudança entre governos de ideologias opostas, quando permaneceu no comando na saída de Iberê Ferreira de Souza para a entrada Rosalba Ciarlini.

Ele administra impasses na tropa e na gestão da corporação. A expertise adquirida na gestão de uma “empresa” com 10 mil homens poderá ser utilizada na gestão pública em breve. Com 28 anos de carreira, Araújo se esquiva quando perguntado sobre pretensões políticas. No entanto admite que esta é uma das possibilidades do futuro que a “Deus pertence”, fala. Por enquanto, a próxima meta a ser cumprida é encerrar o comando com sucesso. Há três anos no posto máximo, Araújo permanece à frente da PM do RN enquanto a governadora Rosalba Ciarlini, ou o próximo gestor, entender.
“Eu sonhava, quando jovem morando lá em Felipe Camarão, em ser oficial da Polícia Militar. Então, fiz o concurso público e entrei na PM. Fui aprovado em 1º lugar e tive a oportunidade de escolher a Academia de Pernambuco. Depois de formado policial, o sonho de todo oficial é ser coronel. O sonho do oficial é ser comandante. Então, já realizei meu sonho de ser comandante”, fala sentado em uma cadeira na chamada Sala das Estrelas, local de reuniões ao lado do seu gabinete.
No período de comando cita conquistas salariais, como o subsídio para os policiais, e a aquisição de 5 mil pistolas doadas pela PM de São Paulo entre as principais conquistas.
“As conquistas que a gente conseguiu foi em termos de equipamentos e melhorias salariais, o plano de subsídio de melhor remuneração, as pistolas, que não tínhamos para todos os policiais operacionais. Tudo isso se construiu de forma ordeira, disciplinada e com espírito de sacrifício”, diz de forma pausada. Sobre o aumento da violência sentido pela população, diz: “A PM é um órgão que enfrenta a criminalidade diariamente, então sofremos o que todos os estados da Federação sofrem, com o aumento da violência. Como um dos órgãos do sistema, somos chamados para enfrentar essas dificuldades”.
Comandante não é unanimidade na tropa
O coronel Araújo é consciente de que o seu comando não ganha a simpatia de toda a tropa. Estima que 50% mais um soldado são os que compartilham integralmente da visão de gestão dos últimos três anos. Na verdade, é modesto e não admite que o percentual é bem maior. Dos opositores na cúpula da PM, ouve boatos sobre centralização de decisões e da comunicação, assim como reclamações pela postura rígida em relação a desvios de conduta.
“Nós contrariamos interesses de pessoas que querem tirar proveito próprio, trazer transtornos administrativos e operacionais. Temos que ter uma mão amiga, mas um braço forte”, fala citando o lema do Exército brasileiro, lugar onde iniciou a carreira militar ainda na década de 1980.
Para ele, as inimizades adquiridas se deram em razão do fim da liberdade dos desvios de condutas. “Era muito difícil na história da PM se punir um oficial superior. Na nossa administração, prendemos majores, tenentes-coronéis e expulsamos tenentes-coronéis. Adotamos procedimentos com ampla defesa e no final eles perderam os cargos públicos. E outros foram presos. Tem pessoas que se sentem prejudicadas, não se sentem livres para agir como agiam antes. Tem pessoas que ficam com raiva. A minha satisfação é que em um universo de 100%, nós detemos a liderança em mais de 50% do efetivo”, afirma. Ele enaltece o trabalho da corregedoria interna da PM em apurar e punir os desvios constatados. Indiretamente, emite críticas a outros órgãos da segurança pública: “Somos uma instituição do estado do Rio Grande do Norte que damos exemplo ao Rio Grande do Norte porque toda e qualquer denúncia que chega ao nosso conhecimento, ela é apurada, investigada. É tanto que hoje temos em média 30 MPs presos e 75 expulsos, entre oficiais e praças. Não toleramos os desvios de conduta”.
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