HOMICÍDIOS CRESCEM DURANTE CARNAVAL NO RN


A Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa Social (Sesed) divulgou ontem o balanço final da Operação “Carnaval Seguro”. Com menos ocorrências policiais e menos mortes no trânsito do que no ano passado, o evento foi considerado tranquilo. Apesar disso, as estatísticas da ação integrada entre as polícias Militar, Civil, Rodoviária Federal, Corpo de Bombeiros, Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e Instituto Técnico-científico de Polícia (Itep) registraram um crescimento considerável no número de homicídios. Mesmo comemorando os números e considerando o carnaval calmo, o secretário de Segurança Pública, Aldair da Rocha, lamentou o aumento de assassinatos. Enquanto que no ano passado nove pessoas foram assassinadas, neste ano o período de 8 a 12 de fevereiro contabilizou 23 homicídios, 12 deles só na capital. Segundo o secretário, esse tipo de ocorrência é “inevitável” porque a polícia não pode estar em todos os lugares ao mesmo tempo para impedir os assassinatos. Ainda de acordo com Aldair da Rocha, só haverá uma diminuição nessas ocorrências com educação e uma atuação rígida do poder público, algo que ele diz que em breve vai acontecer com a criação da Divisão de Homicídios do RN, um setor da Polícia Civil que vai trabalhar exclusivamente com esse tipo de crime. “Vamos diminuir os homicídios com educação e atividades preventivas, mas também com a repressão qualificada da polícia. Neste ano vamos concretizar a criação da nossa Divisão de Homicídios”, declarou Rocha, destacando ainda que em áreas de carnaval – onde houve festas e onde ganhou a atenção da Operação Carnaval Seguro – ocorreu apenas um assassinato, caso computado em Macau. O delegado geral da Polícia Civil do RN, Fábio Rogério, também comentou o aumento de 155% nos homicídios. Assim como Aldair da Rocha, ele considera que homicídio é um crime que não dá para evitar. O delegado exemplificou que com blitz e polícia na rua há um resultado visível no trânsito ou em roubos, mas os casos de homicídios são diferentes. “Não sabemos quando vai acontecer”, defendeu. Rogério ainda comentou que não dá para controlar o número de armas de fogo que vai parar nas mãos dos homicidas porque eles são “foras da lei” e não se importam em adquirir as armas de maneira ilícita. Ele defendeu que não adianta deixar a Lei do Desarmamento mais rigorosa “porque bandido não liga para isso”. Para o delegado, o maior responsável pelas mortes é o tráfico de drogas, fator que cresce não só no estado, mas em todo o Brasil. “Houve um acréscimo, não podemos negar, mas isso é um reflexo de acerto de contas e casos isolados”, afirmou. O comandante geral da Polícia Militar, coronel Francisco Canindé de Araújo, ressaltou que em todos os polos de folia, área em que a Operação Carnaval Seguro atuou, houve a diminuição considerável das ocorrências. Na Região Metropolitana de Natal, a redução nas chamadas policiais chegou a 6,3%. “Onde teve concentração de pessoas não registramos grandes ocorrências. Isso na área de carnaval, ou seja, onde houve festas”, relatou Araújo.

Trânsito apresentou números positivos
Até mesmo o trânsito não trouxe grandes problemas para a segurança pública do estado. O atendimento do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) Metropolitano a acidentes de trânsito sofreu uma queda de 35% em relação ao ano passado. Além disso, neste ano houve uma redução de 50% nos óbitos nas estradas potiguares. Foram oito mortes, enquanto que em 2012 o dobro de pessoas (16) perdeu a vida no trânsito. Por meio da Lei Seca, 55 motoristas foram presos por misturar bebida alcoólica e direção, segundo dados da Polícia Militar. Neste ano a corporação contou com 3.550 homens nas ruas, sendo 250 policias do Comando de Policiamento Rodoviário Estadual em parceria com a Polícia Rodoviária Federal. Para o comandante do CPRE, coronel Francisco Canindé de Freitas, a maior fiscalização policial e a Lei Seca mais rígida trouxeram inibirão as infrações. “Tivemos muita gente presa, muita gente autuada, muitas carteiras apreendidas, mas pouca gente nos hospitais. É para se comemorar”, enfatizou.

Mais fiscalização dos bombeiros
A fiscalização em eventos por parte do Corpo de Bombeiros também cresceu neste carnaval. O número de atendimentos feitos pelo Serviço Técnico de Engenharia (Serten) da corporação subiu de 54, em 2012, para 195 neste ano, o que representa um acréscimo de 261%. O comandante geral dos Bombeiros, coronel Elizeu Lisboa Dantas, acredita que os dados são o reflexo ainda da tragédia acontecida na cidade gaúcha de Santa Maria, no fim do mês passado. O acidente fez as prefeituras e organizadores de eventos se conscientizarem mais e chamarem o serviço de fiscalização da corporação, que em 2013 contou com dez equipes de plantão. “Foi uma mudança pelo ‘Efeito Santa Maria’, mas pelo maior investimento também. Foram investidos mais de R$ 9 milhões em estrutura e equipamentos por parte do Governo do Estado”, defendeu o coronel. O efetivo dos Bombeiros contou neste carnaval com 12 veículos de combate a incêndio, 12 veículos de salvamento aquático, quatro veículos de salvamento e resgate, quatro ambulâncias, três quadriciclos, cinco embarcações e duas motocicletas.

PRF também comemora bons resultados
Nas estradas federais que cortam o estado, o carnaval também foi considerado tranquilo. De acordo com o balanço da Polícia Rodoviária Federal (PRF) houve redução no número de acidentes, feridos, prisões e multas, com uma fiscalização maior comparando-se ao mesmo período de 2012. Foram registrados 60 acidentes, com 26 feridos e quatro mortes. O número de óbitos foi o único que superou o do ano passado, quando morreram três pessoas nas BRs que passam pelo estado. Mesmo assim, analisando a quantidade de feridos, que foi 53% menor, e de acidentes, reduzida em 26%, a PRF considera que este carnaval foi menos violento. “Em números gerais observamos mais fiscalização e diminuição de notificações. A gente crê que essa redução se deve ao trabalho ostensivo, por isso foi mais tranquilo que no ano passado.”, explica o inspetor Roberto Palhano. O inspetor acredita que o clima menos chuvoso do que no ano passado pode ter influenciado nos resultados. Aparentemente os motoristas também estavam mais atentos. “Se não por consciência educativa, pode ser pela tolerância zero da lei seca”, conclui o inspetor. Neste sentido foram realizados 2.057 testes com bafômetros, ocasionando 96 pessoas multadas por embriaguez e 29 prisões devido ao consumo de álcool. No total, a Polícia Rodoviária Federal aplicou 1.848 multas e efetuou 54 prisões nas estradas federais do estado. A Operação Carnaval da PRF começou à 0h da sexta-feira (8) e terminou a meia noite da quarta-feira de cinzas. A BR 101 continua registrando maior número de acidentes, porém, os acidentes fatais ocorreram nas BRs 406 e 304, sendo consideradas as mais violentas deste carnaval.
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