PM NOEL - O RENASCER DA ESPERANÇA

Quando as noites natalinas
foram perdendo a magia,
e não tinha mais encanto,
nem um riso de alegria...
Deus, percebendo os estragos,
viu a terra dos Reis Magos
apagando a Estrela Guia...

“Eu não posso acreditar
que até nessa capital
deturparam a grandeza
do período do Natal
e os Reis Magos são apenas
três esculturas pequenas
sem respeito e sem moral”.

“Nessa cidade sem brilho,
não vemos, sequer, a luz,
não cuidam dos mais carentes,
nem se respeita Jesus;
a saúde é quase morta,
a escola fechou a porta
e o pobre é posto na cruz”.

“O lixo invadiu a praia,
as esquinas e os terrenos;
os políticos são vermes
que roubam sonhos amenos...
Os cidadãos estão loucos!
E os buracos não são poucos,
e muitos não são pequenos”.

Deus pensou na gravidade
da cidade do Natal
e, revendo alternativas,
pra sanar aquele mal...
pensou num herói cruel:
metade Papai Noel,
metade Policial!

Não se sabe a identidade
dessa nobre criatura;
bota o colete no corpo
e a pistola na cintura;
dá ponto e desata nó,
tanto voa num trenó,
como anda em viatura!

Foi por isso que essa lenda
renasceu bem diferente:
combatia os criminosos,
mas também dava presente;
andando em muitos lugares,
deixa os brinquedos nos lares
para a criança carente.

A sua metralhadora
alveja a dor da exclusão,
dispara afeto e carinho,
mas também mata ladrão;
Na sacola tem remédio
que mata tristeza e tédio
nas trilhas da ingratidão.

Eis um Noel de verdade
que a nova lenda revela;
não promete o que não pode,
numa atitude singela,
desenhou um lindo enredo,
botando afeto e brinquedo
no coração da favela.

Papai Noel não é o centro
do Natal ou da bonança,
mas todo sinal compensa
um semblante de esperança!
E ninguém sabe ou mensura
a alegria que perdura
na mente de uma criança.

Um Papai Noel sozinho
não transforma uma nação,
não muda a vida e o caminho
de um pobre de pés no chão,
mas, num instante de brilho,
traz corações para o trilho
nos rumos da compaixão.

Que esse gesto valoroso
inspire o nosso arredor,
que a voz da desigualdade
seja cada vez menor,
que na vida e nos cordéis 
surjam mais papais noéis
em prol de um mundo melhor.

Autor: Hélio Alexandre S. e Souza

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