EM BUSCA DO ACIDENTE

Já passava das 10 horas de uma quarta-feira. Um acidente atrapalha o tráfego entre as Avenidas Jaguarari e Presidente Bandeira, no bairro do Alecrim. Nada grave. Seria mais um, dos 35 ocorridos naquele dia em toda a Natal. Uma conversão mal feita provocou dois paralamas amassados, um farol quebrado e impaciência de dois motoristas. Tudo culpa de uma demora de mais de uma hora para terem o incidente apurado.

Em razão daquele colisão ter ocorrido na área urbana de Natal e não envolveu vítimas fatais, coube ao Comando de Policiamento Rodoviário Estadual da Polícia Militar a confecção do Boletim Ocorrência de Acidente de Trânsito (BOAT).

Dois policiais do Esquadrão Águia foram ao local para depoimentos e produzir uma espécie de croqui, um desenho que informa o desenrolar do acidente.

Foram ao local o Cabo João Venâncio Neto e o Soldado Emerson Martins Magalhães, em duas motos do Esquadrão Águia. Apesar dos dois prestarem serviço na Zona Sul de Natal, fazendo a ronda em toda a Avenida Roberto Freire, eles foram deslocados até ali para produzir o boletim de ocorrência.

Os praças logo se defenderam da demora. A ocorrência só fora comunicada a ambos havia 20 minutos. A culpa, então, foi do Centro Integrado de Operações de Segurança Pública (Ciosp) que recebe as chamadas do serviço 190, da Polícia Militar, e as repassa para o Comando de Policiamento Rodoviário Estadual.
“O tempo de resposta para as ocorrência é de 25 minutos. Nós cumprimos isso”, ressaltou o Cabo Neto.
Enquanto ele ouvia os envolvidos no acidente, o Soldado Martins anotava todas as informações.

Um dos envolvidos, o jornalista Rilder Medeiros, 40, estava retornando para a sede da sua empresa no bairro do Tirol, quando no cruzamento foi fechado pelo aposentado Pedro Rodrigues da Silva, 65.

Apesar dos prejuízos para ambas as partes, o clima era de consternação. Mas nenhum dos dois admitia a culpa.

“Eu fiz certinho. Liguei a seta e entrei. Quando vi, já tinha batido”, lembrou Pedro Rodrigues.

Ele estava indo para Cidade Nova, e iria fazer a conversão na Avenida Presidente Bandeira quando bateu no carro do jornalista.

“O sinal abriu, eu segui e houve a colisão. Não tive culpa, ele é quem entrou de forma precipitada”, rebateu Rilder Medeiros.

Enquanto o jornalista estava em um novíssimo Hyundai Santafé, um veículo avaliado em pouco mais de R$ 100 mil, o aposentado guiava um Fiat Premiun, de 1986, cujo valor de revenda não ultrapassa os R$ 10 mil.

Foram passados outros 30 minutos de avaliações técnicas, até que os dois motoristas assinassem o boletim de ocorrência.

O soldado Neto termina o desenho do croqui, mostra o desenho do acidente para os condutores, ler o depoimento colhido com eles e informa que o documento estará pronto nesta segunda-feira.

É que na quinta-feira foi ponto facultativo em todas as repartições públicas estaduais. Numa semana normal, o boletim seria disponibilizado no dia seguinte.

Com esta documentação, as partes envolvidas podem acionar as empresas de seguro e entrar com um ação judicial de reparação por danos materiais.
“Natal tem carro demais nas ruas e os motoristas estão mais desatentos”, disparou Soldado Martins.
Há 12 anos trabalhando na Polícia Rodoviária Estadual, ela se mostra impressionado com o aumento da frota veicular. O colega de trabalho tem uma opinião idêntica.
“O trabalho não para. Estamos sempre sendo acionados para alguma ocorrência”, lembrou o Cabo Neto.
Por dia de serviço, os dois produzem sete boletins de ocorrência.

Ou seja, eles acompanham mais 80 acidentes por mês.

Ao liberar os dois condutores, o Cabo Neto flagrou um outro motorista fazendo uma conversão proibida na Avenida Presidente Bandeira. Como não podia multá-lo, pois este tipo de infração cabe à Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (SEMOB), ele parou o veículo para verificar a habilitação do condutor e, como não havia nenhuma irregularidade, o liberou em seguida.

NOVO JORNAL

Nenhum comentário:

Postar um comentário