MANIFESTO EM FAVOR DO CABO JEOÁS NÃO EMPOLGA

Promovido por entidades de classe, o manifesto de solidariedade ao cabo Jeoás Nascimento dos Santos, presidente da Associação de Cabos e Soldados (ACS) do Rio Grande do Norte que teve prisão preventiva decretada pela justiça baiana e continua foragido, contou com pouca adesão. Os ativistas se reuniram na manhã de ontem às 10 horas embaixo do Viaduto do Baldo e de lá partiram para a praça 7 de Setembro, na Cidade Alta.

Os presentes manifestaram-se a favor da revogação do mandado de prisão preventiva, decretado pela Justiça da Bahia sábado passado, mas divergiram em relação aos atos de vandalismo praticados durante a greve da Polícia Militar na Bahia, da qual o policial potiguar foi acusado de ser um dos líderes do movimento.O operário Josinaldo Correia, 41, disser ser contra os métodos extremos usados por alguns dos PMs.

“Se ficar comprovado que alguém mandou queimar viatura mesmo, essa pessoa tem que ser punida”. Contudo, o operário têxtil ligado à Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) acredita que a greve dos policiais é legítima. “Eles estão lá não como PMs, mas como trabalhadores. O protesto é pacíi co e ninguém pode ser julgado por incidentes isolados”, afirma Correia.

Moacir Soares, presidente do CTB e ifiliado ao Partido Comunista do Brasil estava numa situação curiosa. Enquanto seu partido apoia as determinações do governo federal, que se posicionou contra a possível anistia aos grevistas, a Central está do lado dos PMs e do perdão dos crimes que os policiais possam ter cometido.

Falando pessoalmente, o carteiro diz estar do lado da CTB nessa questão: “Os dirigentes do partido têm sua opinião e eu tenho a minha. Nesse caso, eu tenho que discordar deles”.

Na opinião de Soares, há um exagero da imprensa na maneira como estão sendo divulgadas as informações referentes aos atos de vandalismo. Ele afima que as acusações que estão sendo feitas contra os grevistas são muito graves e que ninguém pode ser condenado antes que haja uma averiguação minuciosa de todas as provas.

O vice-presidente da Associação de Cabos e Soldados, organização presidida pelo cabo Jeóas, era um dos marcaram presença na passeata de ontem.

O soldado Roberto Campos tomou o partido do colega foragido e da categoria dos policiais militares. Campos, que diz não ter contato com Jeoás desde segunda-feira passada, garante que não existem indícios que liguem o cabo a ações de vandalismo e, portanto, justificativas para sua prisão.

O representante da ACS saiu em defesa também da legitimidade da mobilização realizada na Bahia, acusada de desobedecer a Constituição Nacional, que determina que os policiais militares são considerados servidores especiais e não podem entrar em greve. “O fato de nossa categoria não poder realizar algum movimento do tipo deveria ser amparado pela contrapartida de termos boas condições de vida e recebermos bons salários, o que não acontece”, justifica Campos. “A constituição nos coloca no mesmo balde dos juízes, por exemplo. É absurdo”.

Seria essa injustiça um motivo razoável para a adoção de medidas violentas como meio de promover a greve? A opinião do soldado Campos é parecida com a de Moacir Soares nesse aspecto. A grande mídia teria manipulado e deturpado a maneira como a greve estaria ocorrendo, crimininalizando-a.

Mas caso, depois de uma detalhada avaliação, fique comprovado que alguns grevistas estejam realmente se valendo de atos de vandalismo para reivindicar seus direitos, os culpados precisam ser imputados criminalmente.

As entidades que prestaram apoio ao ato foram as seguintes:

Sindguardas/RN, Sindsaúde/RN, Sinpol/RN, CSP-Conlutas, CTB, FECEB, STTN, Fecnat, Sindipetro/RN, Sintect/RN, Sintest/RN, Sintro/RN, CUT, APAC, Conselho Comunitário do Bom Pastor e a Associação Beneficente dos Moradores do Loteamento Parque Floresta. As siglas PC do B, PSTU e PSOL também estavam representadas no protesto.

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