SEGURANÇA PÚBLICA NO CAMPEONATO ESTADUAL DE FUTEBOL

coronel Alarico
A três dias do início do Campeonato Estadual muito se falou sobre patrocínio, tabela, preço de ingressos e um assunto foi esquecido: segurança. Preocupada com a ausência de debates sobre o assunto, a Polícia Militar convocou para hoje, às 10h, na sede das promotorias de Natal, uma reunião envolvendo os clubes, as torcidas, a Federação Norte-rio-grandense, o Ministério Público e outros setores ligados direta ou indiretamente ao futebol potiguar. O comandante do policiamento metropolitano, coronel Alarico afirma que este encontro é essencial para a definição de procedimentos a serem realizados durante a competição potiguar. De acordo com o coronel, existem peculiaridades no certame local diferentes do ocorrido, por exemplo, durante a disputa dos Campeonatos Brasileiros das Séries B e C, nos quais participaram ABC e América, respectivamente. O oficial refere-se mais especificamente as questões envolvendo a venda de bebidas alcoólicas nas praças esportivas e a questão dos clássicos envolvendo os rivais alvinegros e alvirrubros. No Campeonato Brasileiro a comercialização das bebidas com álcool está proibida, ao passo que, no Campeonato Estadual, amparados por uma liminar na justiça, os comerciantes vendem livremente esses produtos. Sobre os clássicos, a preocupação refere-se aos conflitos entre torcidas organizadas e ao fato do jogo ser realizado, pela primeira vez, no estádio Nazarenão, em Goianinha, onde a Polícia Militar identifica fatos que podem vir a ser complicadores no trabalho de segurança do espetáculo.

ENTREVISTA


A Polícia Militar tomou a iniciativa deste encontro. Até o momento nada havia sido debatido?

Vamos iniciar o campeonato no domingo e até o momento não ouve nenhum tipo de procedimento. Por isso conversamos com o Dr. Luis Eduardo, da comissão de segurança dos estádios e verificamos a necessidade da reunião. Debater a segurança é imperioso. Não houve nenhum contato anterior e muita coisa precisa ser definida, além de todos os procedimentos. Temos que falar sobre comportamento de torcida, dirigentes, sobre a necessidade de ofícios com antecedência, entre outras coisas.

A questão da bebida alcoólica também será debatida?

Com certeza. Ainda não foi cassada a liminar que autoriza a venda durante o Estadual. Vamos pleitear que os dirigentes dos estádios orientem os bares para vender bebidas (sejam quais forem) em copos descartáveis pois isso diminui o perigo de alguém por algum motivo usar lata ou garrafa como arma. Queremos sugerir as medidas e que isto fique escrito para que amanhã ou depois não comentem que a PM não atentou para tais fatos. Nós como agentes de segurança temos a obrigação de minimizar possíveis conflitos e estas atitudes são justamente nesse sentido. Além disso, temos que retomar contatos. O América, por exemplo, tem outro presidente. Precisamos estar todos juntos, Polícia Civil, Ministério Público, enfim todo mundo.

Quais são os procedimentos a serem tomados?

A PM faz de tudo para que tudo ocorra da melhor forma possível. De acordo com o Estatuto do Torcedor, o responsável pela segurança é o clube mandante do jogo. Logo, este clube tem que solicitar ao poder publico segurança com antecedência de 48h. Além disso, para que o espetáculo seja seguro, algumas medidas precisam ser tomadas por outros órgãos como as prefeituras por exemplo.

Quando você fala nessas providências em conjunto, seria para evitar problemas como o que aconteceu no jogo América x Paysandu? Existe a preocupação com um clássico em Goianinha?

O estádio de Goianinha tem problemas. Primeiro a chegada é só por um local - a estrutura do estádio não favorece a segurança no que diz repeito a chegada e saída no local. Para a entrada não há problema, pois existem locais separados, no entanto, deixando o estádio é pedra, pau e matagal. Já solicitamos a prefeitura de Goianinha que os arredores do Nazarenão sejam calçados para facilitar o policiamento, dificultar que, em caso de problemas, não haja pedras e outras coisas que possam ser utilizadas como armas ou esconderijos. Temos que nos antecipar. Fomos criticados quando naquele jogo adotamos um sistema que proibimos a entrada de pessoas que não fossem do Pará e isso diminuiu a ida de torcidas de outros times para evitar confronto. Foi uma decisão tomada e apresentada ao MP que nos apoiou. Ainda assim tivemos problemas justamente porque quando uma torcida chegou a outra ainda estava lá fora e, como eu disse antes, tinha pedra - pau, etc.

Existe a possibilidade de, nos clássicos haver apenas uma torcida. Por exemplo, no Frasqueirão só o ABC e no Nazarenão apenas o América, como já ocorre em Minas Gerais?

É uma ideia boa que temos que ver pois cada caso é um caso. Existem coisas que foram adotadas em outros estados que tem grandes estádios e times maiores onde existem delegacias móveis, delegacias no estádio, unidades só para jogos que fazem as coisas funcionarem com mais facilidade. Podemos pensar nisso é uma idéia muito boa, vamos conversar e tentar amadurecer. Não significaria que um torcedor do América ou ABC não poderia ir ver o jogo, só não poderia estar com a camisa do clube.

Que avaliação o senhor faria da segurança nos nossos estádios?

Hoje estamos bem, mas temos sempre que melhorar. Há muito tempo não existe nenhuma ocorrência de vulto dentro do estádio e pouquíssimas ocorrem fora dele. Temos o apoio dos dirigentes, das torcidas e de todos, podemos nos transformar em um exemplo. Por exemplo, Sport e ABC tivemos muito trabalho e conseguimos evitar problemas. É um trabalho muito de bastidores, muitas conversas, fechar rodovias, organizar horário de entrada, etc.

É um trabalho gratificante?

"É um trabalho muito gratificante. Só o fato de você ver um espetáculo sem nenhuma ocorrência é muito bom.

TRIBUNA DO NORTE

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