COMANDO DA PM MANDA INVESTIGAR VENDA DE CARTELAS DAS ASSOCIAÇÕES, PRINCIPALMENTE DA ACS

Coronel Araújo, Comandante da PM
O Comando-Geral da Polícia Militar no Rio Grande do Norte determinou a abertura de um procedimento administrativo interno para investigar a venda de bingos a comerciantes e empresários pelas entidades que representam categorias da Polícia Militar potiguar.

A suspeita é que essas associações estejam usando o nome da instituição indevidamente, além de sua estrutura, para “forçar” a compra de bingos beneficentes. A denúncia feita por comerciantes foi publicada pelo DE FATO na terça-feira passada.

O coronel Francisco Reinaldo de Lima, responsável pelo Comando de Policiamento do Interior (CPI) da Polícia Militar, será o responsável pela investigação.

Segundo o comandante-geral da PM, coronel Francisco Araújo Silva, a denúncia é grave. Ele foi informado sobre as queixas dos comerciantes de Mossoró através do DE FATO e decidiu mandar investigar o caso. Ele reforça que a utilização da estrutura da PM, bem como o nome da instituição com fins particulares, é um crime e todos os envolvidos serão punidos (caso seja comprovado). O processo pode durar 30 dias.
Araújo explica que os policiais que representam a Associação dos Cabos e Soldados (ACS) da Polícia Militar, sediada em Natal, serão ouvidos na investigação.
A dificuldade maior, explica Araújo, é conseguir identificar possíveis vítimas e fazer que elas prestem depoimento. Ele reconhece que muitas pessoas têm medo de falar quando o assunto envolve crimes cometidos por membros de forças policiais. No entanto, Araújo mostrou-se otimista com o procedimento e fez questão de ressaltar que a PM potiguar não admite esse tipo de comportamento. “Isso é crime”, frisou o comandante.

A sindicância foi aberta após matéria publicada no DE FATO na edição de terça-feira passada, 17. Dois comerciantes foram ouvidos pela reportagem e disseram que foram coagidos a contribuir com a Associação dos Cabos e Soldados (ACS) da Polícia Militar.
Os dois comerciantes disseram que só contribuíram porque se sentiram pressionados a comprar.
Ambos disseram à reportagem que resolveram comprar uma cartela para ajudar, mas foram “forçados” a gastar mais. O primeiro contato foi feito por telefone. Na hora da venda, um dos compradores disse que a negociação foi feita por um policial militar, armado, numa viatura da corporação. O acordo feito por telefone foi desrespeitado pelo policial, que quis vender três cartelas, ao invés de uma, totalizando R$ 300,00. Ao ser informado que só venderia uma, o policial demonstrou insatisfação e avisou que iria reportar o caso aos seus superiores. Assustado, o denunciante ficou com duas.

O OUTRO LADO
A Associação dos Cabos e Soldados da Polícia Militar do RN foi procurada pelo DE FATO para esclarecer as denúncias feitas pelos comerciantes mossoroenses. A diretoria negou que estivesse utilizando a estrutura da Polícia Militar ou que tivesse enganado os compradores. Eles dizem que a contribuição é voluntária e negam que haja algum tipo de pressão ou que ofereçam benefícios para quem contribuir. A ACS garante a legitimidade do bingo e que toda a verba é revertida para a entidade e seus sócios (os cabos e soldados).

JORNAL DE FATO

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