FALSA SENSAÇÃO DE LIBERDADE

3ª PARTE
Esta matéria foi publicada no Diário de Natal no dia 06 de junho de 2010, nota-se que após 15 meses nada mudou. Confiram a reportagem:

Segundo Camila Martins, psicóloga organizacional e do trabalho, atuar em gera uma falsa liberdade. "O trabalho por 24 horas seguidas é a solicitação máxima da capacidade do empregado, daí não é sem propósito que ele tenha a folga de dois ou três dias, por exemplo", explicou. Para ela, as pessoas estão adoecendo mais pelo índice de estresse ocupacional visto na sociedade moderna. "No caso dos policiais, o problema torna-se ainda maior, devido à própria natureza do trabalho de segurança, que demanda vigilância e alerta constantes", explicou Camila.

A psicóloga também explicou que os policiais se deparam constantemente com situações de tomada de decisões e soluções rápidas de problemas sérios. "Ninguém os aciona porque tem um jardim bonito e sim por um conflito", raciocina. Para ela, trabalhar à noite sem o devido descanso é ainda pior. "Quase ninguém se adapta porque o metabolismo orgânico foi feito para produzir durante o dia e descansar quando escurece, é uma questão química mesmo", continuou Camila, acrescentando que muitos profissionais acabam fazendo uso de substâncias psico-estimulantes, como cafeína, chás e energéticos.

Outro agravante para os policias, na opinião da especialista, é o fato de cultivarem a imagem do "forte e inabalável" e terem dificuldade de pedir ajuda, ainda mais a um psicólogo. "Daí surgem os mais variados problemas, como depressão, síndrome do pânico e a oscilação entre momentos de muita euforia e de tristeza", diz.

Camila acredita que, ao invés de buscar um segundo emprego, os policiais deveriam aproveitar o tempo de folga para descansar o corpo e a mente, mas, para isso, a corporação deveria oferecer um espaço de atividades que proporcionasse tal apoio. "A carreira de policial não é fácil, pois trata-se de uma mudança de vida. Mesmo à paisana, deve agir, conforme jurou, e isso já é um peso", justificou a psicóloga. "A saúde que se perde com longas e estressantes horas de trabalho nunca mais é recuperada. A curto prazo se percebe pouca diferença, mas a médio e longo prazo problemas irreversíveis vêm à tona", avaliou Camila.

7 comentários:

  1. É assim q gostamos de ver vc Heronides. Na critica construtiva e informativa irmão. Agora sim. Parabéns.

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  2. É um situação difícil e cabe ao governo tomar providências urgente!!!

    http://www.corujinharn.com

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  3. Excelente matéria. O último parágrafo serve de alerta para as autoridades e nós policiais.

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  4. PM - Instituição criada para auxiliar no combate há um dos principais problemas da sociedade, SEGURANÇA! Mas, quem cuida da segurança dos PMs? Dos oficiais eu sei que são os PRAÇAS! Mas, e da segurança dos PRAÇAS? E, dos filhos dos PRAÇAS? E, da saúde dos praças? Realmente tudo isso seria facilitado se tivéssemos condições dignas de trabalho, alguma esperança de prosseguimento na carreira, alguma esperança de melhorar! Em uma instituição historicamente DOENTE e impregnada pela CORRUPÇÃO, como não adoecer? Na PM quem vive em QUARENTENA são os bons, eles que são retirados do meio dos outros para não contaminarem a TROPA com suas ideias e atitudes!

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  5. PMs fazem protesto no 7 de setembro pela morte de 12 colegas só em 2011

    Publicação: 06/09/2011 17:39 Atualização:
    Da redação do DIARIODENATAL.COM.BR

    As entidades representativas dos policiais e bombeiros militares, entre elas a Associação dos Cabos e Soldados da PM/RN, realizam nesta quarta-feira, durante o Desfile de 7 de Setembro, um protesto pela morte do Cabo Osmar e de mais 11 policiais no decorrer de 2011.

    Fitas pretas serão utilizadas as fardas por policiais e bombeiros para demonstrar o luto pelos companheiros mortos. A maior parte desses policiais foram mortos em serviço ou realizando algum trabalho extra, como o Cabo Osmar, morto segunda-feira (5) em confronto com bandidos.

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  6. independente de estar de serviço ou em um bico como é conhecido por se tratar de praças por que se for um medico por ex.seria outro plantão, mas se o pm de folga não tomar nenhuma atitude pode ser punido por omição, to me referindo a um praça oficial é outra istoria.

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  7. Olá a tdos, sou PM desde 2001 e antes fui Fuzileiro 1997, tive a oportunidade de passar pelo Choque e de atuar na Força Nacional. Hoje, atuo numa cia menos operacional no sentido ostensivo, estou cursando o 3º ano de Psicologia e pretendo muito trazer algo desse saber para nossa gloriosa, pois na minha esperiencia citada acima, vejo o quanto é desumano a rotina e dinâmica de trabalho em que nossos heróis são submetidos, desde uma escala apertada a várias situações silenciosas, mas adoecedoras. Brevemente, cb. Hernildes, estarei postando algo dessa natureza no nesse espaço, o qual lhe parabenizo. Abç a tdos.

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