POTIGUAR 01: VIGILANTE NOS CÉUS DE NATAL

O rádio transmissor da cabine recebe a chamada e a resposta é imediata: “Ok, copiado. Informe as características dos suspeitos e a rota de fuga que já estamos a caminho”.

Naquele instante, o comandante realizava um patrulhamento de rotina nos arredores da penitenciária de Alcaçuz, no município de Nísia Floresta, distante 32 quilômetros de Natal. Até chegar ao Natal Shopping, no bairro de Candelária, já na Zona Leste da capital, não demorou mais que um minuto. Foi voando? Exatamente.


De qualquer ponto da cidade (se não houver uma tempestade, é claro), apenas cinco minutos é o tempo necessário até a chegada ao local da ocorrência. E detalhe: contando a decolagem.

Seja para auxiliar viaturas em perseguição, para o resgate de vítimas de uma enchente, para o socorro médico em áreas de difícil acesso, para o salvamento de afogados em mar aberto, ou até mesmo para o combate de incêndios, o helicóptero Potiguar 01 está preparado.

O vigilante dos céus é um modelo Esquilo AS 350 B2. Com exatos 1.307 quilos, seu peso é considerado leve. E com uma velocidade de 150 nós, ou seja, 270 quilômetros por hora, não é à toa que ela é a máquina voadora mais utilizada em todo o país para combater a criminalidade. Para conhecer de perto a rotina do Potiguar 01, e o trabalho desempenhado pelos homens que a operam, o NOVO JORNAL embarcou na aeronave.

Fabricado em 2002, o Potiguar 01 pertence ao Governo do Estado e está à disposição da Secretaria Estadual de Segurança Pública e da Defesa Social.

Antes mesmo de sair do chão, o coronel Aldrian Brito, diretor do Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer), deixou bem claro o quanto a aeronave é imprescindível quando a urgência chama pelo socorro. “Vamos voar. Preparem-se para fazer segurança pública e ajudar as pessoas”, disse ele, antes de assumir a posição de co-piloto e auxiliar o comandante Farias Júnior, policial civil da Força Nacional de Segurança Pública com 19 anos de carreira e que há 15 trabalha pilotando helicópteros pelo país.

O vôo no Potiguar 01 durou pouco mais de meia hora. O tempo foi suficiente para a reportagem observar, com os mesmos olhos da polícia, vários bairros da cidade. De cima, a uma altura média de 500 pés (150 metros), é fácil localizar o alvo, mesmo que as pessoas pareçam formiguinhas.

Antes de acionar as hélices, no entanto, os comandantes da aeronave realizaram o que eles chamam de brieing com os demais tripulantes. “Sempre que vamos decolar fazemos esta pequena reunião e compartilhamos informações sobre a operação que vamos realizar. É neste momento que discutimos o que vamos fazer”, salientou o coronel Brito.

A reportagem também ouviu atentamente algumas recomendações e cuidados com os equipamentos de segurança dentro da aeronave, como não tocar nos assentos dos pilotos, atenção ao regular e atar os cintos de segurança, as posições de embarque e desembarque, as restrições de mobilidade dentro da cabine e a necessidade de colocar os fones de ouvido.

Resumindo: senta aí quietinho e não mecha em nada. A rota, iniciada mesmo com o céu nublado, não tirou o prazer e a satisfação de voar num helicóptero. A sensação é ótima, um privilégio sem sombra de dúvidas. O destino inicial foi um patrulhamento sobre a Penitenciária de Alcaçuz, o que logo foi interrompido pela ocorrência de um assalto. Uma mulher caminhava pelas proximidades do Natal Shopping quando foi surpreendida numa saidinha e banco. Dois homens em uma moto se aproximaram e lhe tomaram a bolsa, levando R$ 800 que a vítima havia acabado de sacar.

“Segurem-se. É hora de caçar bandidos”, empolgou-se o coronel Brito. Como já foi dito, em menos de um minuto o helicóptero já estava sobrevoando o local do assalto.

Porém, até a mulher acionar a polícia e a informação chegar à cabine do piloto, os ladrões já estavam longe. Mas não para o Potiguar 01. Bastou mais alguns segundos para a aeronave estar sobre o bairro de Cidade da Esperança, provável caminho de fuga dos assaltantes.

BUSCA
Na cabine, a descrição das características dos suspeitos foi fundamental para a busca. “Eles estão numa moto azul. Um dos homens está de camiseta vermelha, o outro de blusa de cor clara”, avisava o rádio.

Próximo a uma região de dunas, mais precisamente na favela do Detran, as pessoas acenavam. Uma mulher fazia gestos e chegou a apontar para o mato. Foi a deixa que o comandante precisava. Também pelo rádio transmissor, foi dado o alerta para as viaturas que faziam diligências na tentativa de localizar os bandidos.

Porém, o Potiguar 01 não pôde permanecer no local em razão do clima. Nuvens carregadas se aproximavam e ventava bastante.

Pouco tempo depois, uma nova comunicação informava que dois homens, com as mesmas características descritas pela vítima, haviam sido detidos e levados à delegacia para averiguação.

Após a busca dos dois assaltantes, o comandante Farias Júnior seguiu com um patrulhamento pelos principais corredores bancários da cidade, sobrevoando as avenidas Engenheiro Roberto Freire, Prudente de Morais e Rio Branco.

Além do piloto e do co-piloto, no caso o próprio coronel Brito, também fizeram o vôo os soldados Flávio de Castro e Luciano Tiago. Ambos, armados com fuzis de longo alcance e mira telescópica. “Já aconteceu de precisarmos atirar. Este é o nosso trabalho”, frisaram.


Por Anderson Barbosa
Fonte: Novo Jornal
Editado por Cabo Heronides.

Um comentário:

  1. Então tem algo errado, pois AGORA mesmo estamos tentando a vinda da aeronave para Assú, onde tem uma criança de 14 desaparecida no mato fechado e disseram que ele estaria quebrado.

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