O PM QUE VIROU HERÓI

Ele virou herói em julho de 2006. Hoje, quase cinco anos mais tarde, vive frustrado e sofre com as consequencias do seu ato. Seu nome é Wagner Silva Cerqueira Rocha, natalense de 34 anos e que há onze tornou-se soldado da Polícia Militar do Rio Grande do Norte. Foi ele quem guardou e devolveu aos cofres do Banco Central de Fortaleza R$ 78 mil encontrados dentro de uma casa abandonada na Zona Norte de Natal. O dinheiro fazia parte dos R$ 146 milhões roubados onze meses antes, numa ação criminosa cinematográfica. Tanto que virou filme. No próximo dia 22 de julho, nos cinemas de todo o país, estreia ‘Assalto ao Banco Central’, a história do maior assalto a banco do Brasil e o segundo já ocorrido no mundo. O soldado Cerqueira ganhou uma medalha, mas não vai ao cinema. Depois de sofrer três assaltos e de quase ser assassinado, ele só quer esquecer. Esta triste história, certamente não estará no telão.

No imóvel abandonado da Zona Norte, onde o dinheiro foi achado, hoje vive um casal. Kleiber Sidney e Maria Cecília sustentam três filhos pequenos vendendo churros e batatas fritas. Eles não querem saber do dia 22 de julho. Muito menos do filme. A ansiedade é com a chegada do dia 30, quando eles completarão cinco anos de ocupação e moradia naquela casa sem dono. Quando a data chegar, o casal finalmente poderá ingressar com um pedido de usucapião. Somente assim, com o aval da Justiça, eles poderão finalmente dizer que têm um lar. Se tudo der certo, toda a angústia, o receio do despejo e o medo de perderem o único teto que possuem definitivamente ficarão para trás. Esta feliz história, certamente não vai passar no cinema.

O assalto ao Banco Central de Fortaleza aconteceu em agosto de 2005, sem um único tiro ser disparado. Um túnel com mais de 80 metros de comprimento foi escavado por baixo do cofre principal, por onde a quadrilha levou mais de R$ 164 milhões. Praticamente um ano depois, no dia 29 de julho de 2006, três crianças jogavam bola na Rua Praia Grande, no bairro de Santa Catarina, na Zona Norte de Natal, quando a pelota caiu no quintal da casa de número 1798.

Como a residência estava abandonada na época, os garotos simplesmente pularam o muro. No quintal, em baixo de uma pequena lavanderia, a meninada achou o tesouro. Dentro de sacolas plásticas estavam os R$ 78 mil, trocados em notas de R$ 50. Um dos meninos, entusiasmado com tanto dinheiro, correu pra casa e avisou ao irmão. Pronto. Foi neste exato momento que o soldado Cerqueira entrou na história. E sua vida, até então tranquila e pacata, começou a mudar.

Fonte: Novo Jornal

2 comentários:

  1. CUMPRIU O DEVER (devolver o dinheiro) e É HERÓI?
    DEVERIA TER ROUBADO A BUFANFA?
    AS PESSOAS HOJE TEM IDÉIAS INVERTIDAS DE CERTO E ERRADO...
    ENDEUSAM LADRÕES DE BANCOS, ROMANCEIAM A HISTÓRIA E VÃO FORMANDO OPINIÕES COM INVERSÃO DE VALORES MORAIS, ÉTICOS, CÍVICOS...
    É TRISTE.

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  2. Ué!por que o diretor do filme não se importou em colocar o ato honesto do policial como parte da história? O que é que ele admira mais o ato do policial ou o dos ladrões? Talvez se o policial tivesse a atitude contrária com certeza ele anexaria no filme.Para o diretor do filme importa mais dar destaque ao um ato criminoso do que a um ato exemplar de um policial que deveria ser promovido por ato patriota com honra ao mérito, por colaborar com a recuperação de moeda nacional com justiça.Deveria o diretor do filme mostrar também o abandono tanto do estado como do governo federal,em relação ao policial que corre risco por ter feito uma devolução.E para finalizar, a mídia em si, não se importa em divulgar atos morais que ensinem a boa conduta da sociedade, simplesmente por que lhes trazem lucros.Ao contrário, disso, preferem divulgar imagens contendo pessoas bebendo, principalmente jovens, incentivando os mesmos a se embriagarem e até se prostituirem pois, não há como convencer os jovens a comprarem bebida se não tiver mulheres bonitas e sensuais fazendo propaganda.Isso interessa a eles porque os fabricantes de bebida lhes pagam caro para faerem proaganda.Quanto ao do policial, quero dizer que me dar incentivo no trabalho policial, melhor até do que aumento de salário, critique quem quiser,mas não posso deixar de dar o meu apoio ao praça.Graças ao Todo-Poderoso que ainda existem policiais desta honrosa natureza!

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