TENENTE CORONEL DO ESTADO DO MARANHÃO É PRESO POR RECLAMAR VIATURA

Ao mesmo tempo em que não posso deixar de protestar quando o direito fundamental da liberdade de expressão de um policial ou bombeiro militar é atingido, também vou percebendo que os pudores das instituições PM e BM em relação a esta garantia constitucional são permanentemente ignorados, sob a justificativa de leis e regulamentos ultrapassadíssimos, incondizentes com a missão democrática e cidadã que às polícias brasileiras foi delegada.

Depois de assistirmos a prisão do Capitão BM Lauro Botto, do Major BM Burity e a determinação da detenção do Major PM Alexandre, todos por terem emitido suas opiniões (sem calúnia, injúria ou difamação), agora é a vez de um tenente coronel do Bombeiro Militar do Maranhão, pela mesma razão, conforme publicou o site de notícias G1:
O tenente-coronel Marcelo José Ferreira Costa, do Corpo de Bombeiros do Maranhão, foi preso, na manhã desta terça-feira (3), após reclamar da falta de estrutura para trabalhar e denunciar o possível uso indevido de carro da corporação por parte do motorista do comandante da corporação, o major Marcos Paiva.

O bombeiro está recolhido, há 26 horas, no quartel do Comando Geral do Corpo de Bombeiros de Bacanga, em São Luís. A prisão administrativa está prevista para o período de quatro dias, segundo Costa.

“Tínhamos uma reunião já agendada. Durante o encontro, questionei o comandante [Marcos Paiva] sobre o uso de carro oficial, descaracterizado [sem placas brancas] por parte do motorista dele, neste sábado (30). O cabo estava sem uniforme, usando apenas camiseta. Naquele dia eu estava de serviço e era o superior de dia, responsável por toda a corporação no estado. Saí da sala preso, com voz de atenção”, disse o oficial preso.

Costa informou ainda que está sem viatura para se deslocar desde setembro de 2010 e usa a motocicleta pessoal para trabalhar. “Sou comandante do 1º Grupamento de Bombeiros Militares e não tenho um carro disponível para trabalhar, mas tem carros sendo usados, pelo menos cinco, para resolver assuntos pessoais de comandantes.”

Naturalmente, o caso ainda precisa ser esclarecido pelo Corpo de Bombeiros Militar do Maranhão, porém, tomando como essencialmente verídica a narração do TC BM Marcelo, estamos diante de mais um caso de censura a uma reivindicação legítima, punida com o extremo das medidas: o cerceamento da liberdade, do direito de ir e vir.

Mais uma medalha de antidemocracia e anticidadania para as organizações militares estaduais brasileiras.

Fonte: Abordagem Policial

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