QUALIDADE DUVIDOSA NA SEGURANÇA DE NOVA CRUZ

Praças denunciam insuficiência de efetivo, falta de alimentação, condições precárias e desvio de função.

O Agreste potiguar retratado como uma região onde criminosos haveriam tomado de conta. E Nova Cruz, cidade onde os policiais militares estariam sendo vítimas de ingestão, o que ocasionaria não somente o comprometimento do policiamento, como pondo em risco a vida deles. Estas são as denuncias da Associação de Praças da Polícia Militar da Região Agreste-ASSPRA, um relatório fornecido a “Jornal de Hoje”, um relatório apresentando os problemas pelos quais PMs estariam passando.

O Comandante do 8ºBPM/RN, major Gaspar Linhares, negou os pontos apresentados pela entidade e garantiu que o policiamento tem sido feito dentro das possibilidades, e que Nova Cruz é uma das cidades com melhor guarnecimento militar do Estado.


Dentre os itens elencados pela ASSPRA, o número insuficiente de efetivo na Região Agreste potiguar seria um dos maiores problemas enfrentados pelos praças. Segundo um representante da associação, há noites em que apenas dois PMs ficam responsáveis pelo patrulhamento na viatura da cidade, sendo grande parte dos policiais lotados no 8º Batalhão destacados para fazer a guarnição da Cadeia Pública de Nova Cruz, localizada a mais de 10 Km do centro.

O Comandante do 8º BPM nega que fique um número tão reduzido na cidade, sendo o efetivo de quatro homens na área urbana e o mesmo quantitativo na guarnição da Cadeia.

“O problema é que algumas pessoas gostam de fazer terrorismo ao invés de ajudar ou buscar saber o que realmente tem acontecido”.

Ainda relacionando as questões apontadas pela associação, a presença de presos dentro do batalhão regional tem causado constrangimentos e levado ao desvio de função dos policiais, os quais desempenham uma atividade que deveria ser de agentes penitenciários.

O Comandante do batalhão da região Agreste confirma a permanência dos presos e informa que há muito tempo a situação se arrasta, a ponto de chegarem hoje a uma lotação carcerária de 55 homens, entre aqueles que estão nos regimes semi-aberto e fechado. “Essa é uma situação horrível pro policial militar que acaba tendo que fugir da função, da atividade fim que o policiamento ostensivo para fazer carceragem. O Conselho Nacional de Justiça, o Ministério Público e a Secretária de Justiça Já estão cientes disso e estamos esperando uma resolução”.

Dando continuidade ao que fora apresentado, a Associação de Praças afirma que – O único posto que funciona, está na saída para Passa e Fica e Santo Antônio, e as condições estruturais seria precária para os policiais, faltando água para o consumo e a comunicação sendo feita apenas por um orelhão. A existência de apenas um policial neste estaria afetando a função da base de fiscalizar a entrada e a saída de veículos da cidade, além de constituir um risco para o PM que lá estiver cumprindo serviço.

O Comandante do 8ºBPM justificou que somente uma das bases está sendo utilizada devido ao efetivo que atualmente não permite que as outras duas sejam ocupadas. O Agreste conta com 560 policiais militares e somente em Nova Cruz, 130 estão lotados, informou a autoridade policial.

Mais um problema que os policiais daquela região estariam enfrentando, seria com a alimentação. Um membro da ASSPRA contou que no município de Baía Formosa, PMs estariam contando com a colaboração de comerciante para poder obter comida. “Isso a gente sabe que não é certo porque ninguém vai dar nada essa alimentação de graça, sempre tem um interesse”, avaliou a fonte.

”Agora a gente sabe como é : se o policial falar sobre isso é transferido. Você tem que passar fome ou tirar do próprio bolso e não pode reclamar”.

Na outra ponta, Linhares afasta a possibilidade disso acontecer naquela região e afirmou veementemente que em todas as unidades a alimentação estão sendo fornecidos à contento, havendo inclusive, uma dieta variada. 

“Posso garantir que nem todo policial come em casa o que nós servimos “.

Comandante acha que os policiais devem apelar para a criatividade

Sobre as condições ideais para desempenhar de maneira eficiente o policiamento, o gestor do BPM do Agreste esclareceu que é preciso estabelecer uma boa logística para ser eficiente, uma vez que assim como todo órgão público, a polícia também não tem como desempenhar sua função sem apelar para a criatividade.

Denúncias

Algumas denúncias acerca da fragilidade na segurança do município também foram feitas. Uma delas diz respeito aos arrombamentos à residências, práticas que já teria se tornado algo normal. Um detalhe foi ressaltado: foram arrombadas aproximadamente nove casas de policiais militares e até agora nada teria sido solucionado.

Carlos Henrique Goes
Fonte: Jornal de Hoje

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