O DIA EM QUE O RN PAROU

Onda de greves suspende serviços básicos no RN

O cidadão norte-rio-grandense continua desassistido nas áreas de educação, saúde e segurança. E, ao que tudo indica, a situação pode se complicar nos próximos dias. Os policiais civis do Estado, que paralisaram suas atividades a partir de ontem, se somam aos professores e médicos, que já estavam em greve. Cerca de 93% dos 18 mil professores da rede estadual continuam com de braços cruzados e sem expectativa de encerrar o movimento, iniciado desde o último dia 2. Apenas os estagiários e contratados não aderiram à paralisação e continuam mantendo o funcionamento mínimo em 93% das 736 escolas do Rio Grande do Norte.

Já o atendimento na saúde pode se complicar ainda mais a partir de agora. Além dos 226 médicos que estão em greve desde o dia 18 de abril, os 1.600 que integram os 23 hospitais do Estado também podem parar.
Eles reivindicam que o projeto de lei aprovado em maio de 2010, que incorpora a gratificação de R$ 2.200 em duas parcelas (maio e dezembro/2011), seja cumprido. O impasse entre a categoria e o Governo do Estado iniciou há um mês, quando os médicos contratados em novembro do ano passado decidiram suspender o atendimento até que os salários atrasados de nove meses fossem pagos.

De acordo com o presidente do Sindicato dos Médicos do RN (Sinmed/RN), Geraldo Ferreira, aproximadamente 120 estão com os salários em dia, entretanto optaram continuar em greve até que a situação da incorporação seja solucionada. "Estamos tentanto um contato com o governo, mas se não tivermos uma resposta vamos entrar em greve, porque dessa incorporação não podemos abrir mão", ressaltou o presidente do Sinmed. A categoria se reúne hoje às 19h em seu sindicato, para definir a possível paralisação.

Agentes

Após uma greve que durou 13 dias, os 250 agentes de endemias podem voltar a paralisar suas atividades a partir de amanhã. A decisão sobre a nova paralisação será tomada pela categoria ainda hoje, após audiência da diretoria do Sindicato dos Agentes de Saúde do Rio Grande do Norte com a prefeitura. Desta vez, os funcionários terão o apoio dos 608 agentes comunitários de saúde (ACS), que trabalham na Estratégia de Saúde da Família de Natal.

A reivindicação dos agentes é a mesma: receber a gratificação de vigilância sanitária (GVISA). Segundo Jeferson Teixeira de Lima, agente comunitário de saúde desde 2001, na área de saúde a gratificação é recebida por todos os profissionais, com exceção dos agentes (endemias e comunitários). "Desde janeiro enviamos ofício, mas nunca fomos convocados para discutir a nossa reivindicação. Estamos unidos e vamos entrar em greve se a prefeitura não apresentar a proposta de pagamento dessa gratificação", garante Jeferson.

Detran, Emater e Ipern também podem parar

Os 260 servidores efetivos do Detran devem parar as atividades do órgão a partir da próxima segunda-feira por tempo indeterminado. Serviços como emissão de carteiras de habilitação, registros de automóveis, emplacamento e vistoria ficarão prejudicados. A reivindicação dos funcionários é o pagamento da segunda parcela do plano de cargos reestruturado em 2010, que deveria ter sido feito em março deste ano.

De acordo com Santino Arruda, presidente do Sindicato dos Servidores da Administração Indireta, a greve dos servidores do órgão ainda pode ser abortada, caso o governo convoque os 285 aprovados no último concurso público, realizado em dezembro, e que ainda aguardam ser homologado.

Reivindicação

Os 500 funcionários ativos da Emater também ameaçam entrar em greve no dia 25 por tempo indeterminado. A reivindicação, neste caso, é o pagamento da segunda parcela do plano de cargos, que foi conquistado, segundo Santino, após oito anos de luta da categoria. Com a paralisação do órgão todos os serviços referentes àassistência rural, agricultura familiar e projetos técnicos em todo o Estado ficarão sem funcionar.

O Instituto de Previdência dos Servidores do RN (Ipern) poderá suspender suas atividades durante cinco dias a partir de segunda-feira, 23. A reivindicação dos servidores é o fato da diretoria do órgão ter destituído a comissão do plano de cargos que estaria analisando as promoções dos funcionários. A greve pode ser suspensa dependendo do resultado da audiência entre governo e sindicato da administração indireta agendada para hoje às 17h.

"Impossível negociar com serviço parado

O Rio Grande do Norte conta com 14 planos de cargos, carreiras e salários, sendo um da administração direta e 13 setorizados. De acordo com o secretário chefe do Gabinete Civil do Governo do Estado, Paulo de Tarso Fernandes, é impossível para o poder executivo negociar com as categorias separadamente e com os serviços paralisados. "Vamos negociar de uma forma global quando os servidores voltarem ao trabalho", garante.

Ainda é necessário o Estado concluir a análise que vem sendo feita sobre todos os planos que, segundo o chefe de gabinete, foram concedidos em condições irreais e culminaram com as greves enfrentadas pela atual administração. "Internamente o Estado precisa ter uma percepção nítida do problema e ainda não temos. Só então poderemos discutir as reivindicações com todas as categorias", confessa. Questionado sobre um prazo para apresentar as propostas aos funcionários, Paulo de Tarso disse apenas que somente quando a análise for concluída, mas não informou uma possível data.

Secretário diz que "momento não é adequado"

Sobre a possibilidade de os agentes de endemias voltarem a paralisar suas atividades a partir de amanhã, o secretário de comunicação de Natal, Jean Valério, disse que a categoria ganhou benefícios como a estabilidade - o que os levou a deixarem de ser "seletistas" para se tornarem "estatutários", além do plano de cargos e carreiras.

Na análise do secretário, não seira o momento para a categoria entrar em greve novamente, devido à epidemia de dengue instalada na capital potiguar. "Vamos ouvi-los e repassar as solicitações para a área econômica. Iremos atender às reivindicações que estiverem dentro do limite prudencial, mas é importante ressaltar que o momento não é adequado para se fazer uma greve", destacou.

Em relação à provável paralisação dos agentes comunitários de saúde (ACS), Valério considera que a categoria não deveria entrar em greve sem antes tentar uma negociação com o poder executivo. "A secretária de saúde acabou de assumir, então seria melhor tentar conversar com ela para expor todas as reivindicações", sugere.

Fonte: DN Online

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