MAIS QUE UM COMANDANTE. UM LÍDER POLICIAL.

AUTORIDADE X PODER
Considerando que os pilares que sustentam e regem as relações interpessoais nas unidades policiais são a disciplina e a hierarquia, independente destes grupos policiais serem civis ou militares - evidentemente que no meio militar essa estrutura é mais nítida e mais rígida também, talvez até mais fiscalizada - e considerando a maior estratificação de níveis hierárquicos, creio que o grande desafio dos comandantes e gestores hoje é administrar os elementos humanos que formam o grupo, não apenas se preocupar com os problemas inerentes à atividade policial e seus desdobramentos. Saber comandar é acima de tudo uma arte, uma vocação. Quando se tem o "Poder Legítimo", aquele inerente da função que se ocupa, necessariamente não quer dizer que se tem o grupo controlado. O poder, quando mal usado, gera insatisfação e essa insatisfação é extremamente perigosa para o grupo, especialmente quando este grupo é formado por policiais.


Comandar deixou de ser uma relação unilateral, onde um manda e outro obedece, pois a mesma estrutura fiscalizatória que pune o comandado, também pode punir o comandante que usa seu "Poder Legítimo" de forma arbitrária ou inconseqüente . É preciso conhecer o material humano que se tem disponível, compreender suas necessidades, suas demandas e limitações e saber tirar proveito disto. Saber delegar as atribuições é outro fator importante pra se manter a ordem, não fica bom nem eficiente um comandante que centraliza todas as atribuições e visa comandar com "mão de ferro" seus subordinados. É preciso distinguir a fiscalização da perseguição. O verdadeiro Líder tem que ser disponível, acessível, ter vontade de liderar, ser honesto e íntegro e acima de tudo autoconfiante dando exemplos positivos aos seus comandados. O Líder nato utiliza da inteligência emocional, dentre outras inteligências, e tem que possuir muito conhecimento relacionado com o trabalho que desempenha e com as necessidades dos integrantes do grupo também. Cabe ao Líder saber analisar as situações, planejar as ações, buscar alternativas, delegar atribuições e monitorar a execução do que foi decidido.

O foco do Líder é o cumprimento da missão com uma ótica voltada para as limitações e para o potencial do grupo. É um fato lamentável saber que ainda existem muitos comandantes que apenas ordenam suas vontades em virtude do "Poder Legítimo" que lhes é conferido, sem a mínima preocupação com o grupo. Usando da velha teoria: "Manda quem pode, obedece quem tem juízo". Será que hoje em dia todos tem juízo?

Comandar é saber acima de tudo distinguir os problemas pessoais seus, como comandante, e conhecer os problemas de seus comandados. Comandar é ter conhecimento que as responsabilidades podem ser estratificadas, mas nunca suprimidas. Afinal, delegar é saber transferir as atribuições legais aos subordinados sem comprometer o bom andamento do serviço. Quando descentraliza-se o poder do comando não se está abdicando do comando, não se está abandonando-o. Não é sinônimo de perda de controle e sim um sinal de bom senso e amadurecimento do comandante. Ser Líder é saber tomar decisões sem excluir o grupo, necessariamente não é incluir o grupo visando única e exclusivamente a tomada da decisão final, mas é saber aproveitá-los de uma forma que a unidade seja realmente participante do processo decisório. Deixar com que o grupo tenha conhecimento do problema a ser analisado e participe dentro de suas possibilidades na resolução do conflito é de extrema importância para se ter sucesso no cumprimento da missão policial. Ser Líder é conhecer o sistema, conhecer o material humano, conhecer o problema e saber utilizar esse conjunto da melhor forma possível em prol de todos.

Existem três tipos de Liderança: autocrática, democrática e "laissez-faire". Na primeira o que vale é a vontade do comandante, na segunda o grupo todo participa e na última o grupo arca com as responsabilidades de suas decisões. É preciso conhecer e respeitar os integrantes do grupo do mesmo jeito que se respeita e se conhece a missão que será cumprida. É preciso ter controle sem ser centralizador. Para que a máxima "Missão dada é missão cumprida" se perpetue por muito tempo no âmbito policial.

Sei que é muito difícil implantar este modelo gerencial nas unidades policiais. Afinal não é fácil mudar um modelo secular de origem essencialmente autocrátia de um dia para o outro. Espero que esse texto ajude na reflexão daqueles que estão na função do comando. Afinal de que lado você está?

Por Amadeu Robalinho Dantas da Gama Neto.
De Recife-PE

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